Se eu pudesse te falar
Te falaria dessa forma:
Não queria te sufocar,
nem tão pouco ser sua dona.
Só queria te admirar
e não te aprisionar.
Se meu jeito te assustou
peço desculpas, por favor.
Vou ficar de longe
apreciando a doçura desse amor.
Amor de amigo,
amor do ser.
Ser gente humana como você.
Admiro a tua boca
quando pronuncia alguma coisa.
É um falar muito intenso
que dá até água na boca.
Você pra mim não se chama
[...]
Eu te enxergo como
[...]
Pessoa fascinante de sentir bem de pertinho.
Falar de você é fácil.
Gentil e carinhoso.
Com uma pureza de alma,
como um anjo luminoso.
Não queria te roubar,
nem tão pouco ser tua proprietária.
Não tenho domínio nem da minha própria vida
nem dos seres que dentro do meu ventre gerei
e alimentei com meu próprio oxigênio.
Falar delas também é fácil:
São tesouros que ganhei.
Tenho muito orgulho delas.
Mas olhe: não são minhas, apenas gerei!
Cada uma tem sua vida.
Seu pensamento diferente,
mesmo assim as chamo de “minhas”...
Será, também, que as sufoquei?
Óh! Jeito doido de gostar!
Nem sei o que fazer.
Tenho mesmo é que mudar
esse meu jeito de ser.
Cátia Pinheiro, fevereiro de 2011.